A luta de Raff Giglio

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Todo mundo luta pra sobreviver, cada um do seu jeito.

O boxe foi a forma que Raff Giglio encontrou para lutar pelo seu destino e pelo de centenas de jovens de comunidades como a Rocinha e o Vidigal. Há 14 anos, ele vem encorajando os seus alunos a vencer os medos e superar desafios, não só estimulando a concentração e a improvisação, mas também ensinando estratégias para uma vida com mais tranquilidade, saúde e educação.

Lucas e Yuri, dois alunos de Raff, treinando na laje da academia no Vidigal. Foto: Edu Biermann

Foi por acaso que o Raff chegou ao Vidigal. Nascido e criado em Ipanema, ele tinha uma academia de boxe no Leblon que, em 1993, precisou ser fechada quando o clube onde se instalava foi interditado pela Prefeitura.

No início, ele só estava em busca de um espaço para continuar o seu trabalho, mas, ao perceber as poucas oportunidades das crianças da comunidade, resolveu dar aulas gratuitas e, logo depois, criou o Instituto Todos na Luta. 

Nada meu é planejado, tudo vai acontecendo naturalmente.

Raff Giglio 

Jovens fazendo sparring no ringue da academia. Foto: Edu Biermann

O projeto cresceu bastante e precisou se institucionalizar. Hoje, tem 120 alunos, meninos e meninas. A maioria tem de 9 a 13 anos. Eles são divididos entre dois tipos de aulas. A turma de Educação Através do Esporte oferece aos alunos aulas de boxe, atividades lúdico-pedagógicas e culturais, bolsa incentivo, acompanhamento psicossocial, cesta básica e lanche diário.

Como todo esporte, o boxe ajuda na educação das crianças, porque ensina valores, regras e disciplina.

Raff Giglio 

Foco, garra e disciplina são a marca desses atletas. Foto: Edu Biermann

A Equipe de Alto Rendimento funciona como um treinamento específico para competidores, com treinos de boxe, preparação física, fisioterapia, acompanhamento psicossocial, atividades culturais, bolsa incentivo, cesta básica, lanches, plano de saúde e participação em competições nacionais. Nas Olimpíadas do Rio em 2016, os atletas Patrick Lourenço e Michel Borges, formados pelo projeto, representaram o Brasil em casa.

O Instituto tem muitas vitórias diárias.

Raff Giglio

“Meu treinador sempre me ensinou: se quer vencer, tem que treinar.” Foto: Edu Biermann

No campo social, a grande vitória é mudar a vida de várias famílias através da educação. Outro exemplo é o do Jorge Oliveira, que saiu do tráfico para dar aulas de boxe às crianças da Rocinha. O ex-segurança do Nem procurou Raff dizendo que queria sair daquela vida e pediu uma chance. Treinou na equipe, se formou e hoje faz de tudo para que seus alunos não sigam o mesmo caminho que ele.

A sensação de dever cumprido depois do treino. Mas a luta continua. Foto: Edu Biermann

No campo da competição, Esquiva Falcão, Patrick Lourenço e Michel Borges são atletas que conseguiram sucesso profissional com o boxe.

Em 2007, Esquiva Falcão era um jovem de 17 anos, que estava afastado do esporte há dois. Depois de encontrá-lo em uma competição em São Paulo, Raff procurou saber sobre o menino e descobriu que ele estava afastado no Espírito Santo, sem treinamento. Trouxe Esquiva para o Rio e, depois de muito esforço, ele se tornou o primeiro boxeador brasileiro a conquistar medalha de prata em uma Olimpíada, nos Jogos de Londres, em 2012.

Lucas Souza, aluno do projeto, é uma das promessas do projeto para alcançar grandes resultados. Fotos: Edu Biermann

Lucas Souza foi mais uma descoberta de Raff. Ele se mudou aos 9 anos para o Vidigal e conheceu o boxe aos 11. O esporte deu um novo rumo à sua vida. Agora, Lucas treina todos os dias na praia e na academia. Com foco e muita disciplina, ele disputou sete lutas em 2016. O resultado? Sete vitórias. Seu sonho é representar o Brasil nos ringues de Tóquio, em 2020, e voltar para o Vidigal com uma medalha no peito e uma certeza na cabeça:  “O boxe salvou a minha vida”. 

Para conhecer mais sobre o projeto, acesse: http://www.todosnaluta.org.br/.

Tags: Entrevista, Fotografia

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