Sound design: o cinema além do que se vê

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Pense em alguma cena marcante do seu filme preferido. Tirando as falas e a música ao fundo, quantos sons você consegue ouvir? O sound designer, ou “foley artist”, é o cara que tem a responsabilidade de fazer pelos seus ouvidos o que os cineastas fazem pelos seus olhos. Harmonizar a sonorização de cada cena com a sensação que se deseja passar ao espectador é um trabalho minucioso.

O som é uma linguagem que ajuda a criar emoções, tensões e mistério nas tramas. O seu papel é fundamental para fazer o espectador acreditar que tudo aquilo é real – apesar de não ser – e nos transportar diretamente para o ambiente do filme. O curioso é que a maior parte dos sons que ouvimos no cinema não corresponde ao barulho real das coisas ali representadas. Fritar bacon, por exemplo, é um dos truques para criar cenas de chuva.

O sound designer ajuda a contar belas mentiras.

Tasos Fratzolas, fundador do Soundsnap.com

Ben Burtt foi o sonoplasta que ajudou a dar vida à viagem da Millennium Falcon pelo espaço.

Gregg Barbanell, o sound designer super premiado por grandes produções como Breaking Bad, The Walking Dead e The Revenant, diz que o maior desafio é criar os sons de filmes de terror ou ficção científica, porque, normalmente, eles precisam representar algo que não existe, como monstros, dragões, aliens e outras criaturas.

O clássico “2001: Uma Odisseia no Espaço”, de 1968, foi um dos primeiros longa-metragens a usar o sound design como o conhecemos hoje em dia. A obra-prima de Stanley Kubrick redefiniu radicalmente a forma com que a audiência lidava com a interação entre som e imagem, e abriu as portas para esse mercado. Kubrick preparou o público para as inovações e experimentações da década seguinte.

Foi só na segunda metade dos anos 70 que essa profissão realmente ganhou visibilidade na indústria cinematográfica, quando Hollywood deixou de lado os métodos tradicionais de produção e mergulhou de cabeça em novas formas de design. Esse momento ficou conhecido como “New Hollywood”, e seus protagonistas foram uma geração de diretores que, até hoje, estão presentes nas telonas: Martin Scorsese, Steven Spielberg, George Lucas, Francis Coppola entre outros gigantes.

No vídeo acima, Ren Klyce conta que usou carcaças de frango com nozes dentro para criar os sons das brigas sangrentas do Clube da Luta. Exemplos não faltam para mostrar que o cinema é muito mais do que imagens incríveis. Na próxima vez que for assistir algum filme, veja com olhos e ouvidos bem abertos.

Tags: Design, Filme, Making Of, Referência, Vídeo

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